CARNITINA – Emagrecimento & Aplicações Clínicas

A carnitina tem função fundamental na geração de energia pela célula, pois age nas reações transferidoras de ácidos graxos livres (gorduras) do citosol (interior da célula) para mitocôndrias (organela responsável pela geração de energia), facilitando sua oxidação e geração de ATP. Portanto, torna possível a utilização de gordura para o fornecimento de energia. Assim, exerce papel fundamental no balanço energético das membranas celulares e do metabolismo energético dos tecidos que possuem grande parte da sua energia derivada da oxidação de ácidos graxos, como o músculo cardíaco e esquelético. Embora a carnitina desempenhe o seu papel principal no metabolismo de ácidos graxos, ela também aumenta a utilização de carboidratos.

licaps-lcarnitine-400px
L-carnitina Licaps

Atualmente, há evidências demonstrando que a carnitina também pode desempenhar propriedades antioxidantes, diminuindo significativamente a peroxidação lipídica (degradação de gorduras – libera muitos radicais livres).

Além disso, a suplementação de L-carnitina tem aplicações clínicas, porque pode aumentar o fluxo sanguíneo aos músculos devido também ao seu efeito vasodilatador e antioxidante, reduzindo assim, algumas complicações de doenças isquêmicas, como a doença arterial coronariana, e as consequências da neuropatia diabética.

O músculo cardíaco não é capaz de sintetizar carnitina. O coração é o órgão mais afetado pela sua deficiência, sendo observadas disfunções como cardiomiopatia, arritmias (devido ao acúmulo de ácidos graxos de cadeia longa e acilcarnitinas que não podem ser oxidadas), insuficiências cardíaca e respiratória. A L-carnitina modula simultaneamente diversas vias metabólicas fornecendo propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que podem justificar o uso terapêutico dessa substância como um agente protetor de doenças cardiovasculares e hipertensão arterial.

Em relação a neuropatia diabética, os efeitos benéficos da carnitina observados foram relacionados ao aumento do fluxo sanguíneo, ação antioxidante e transporte de ácidos graxos essenciais. A L-carnitina pode ser um fator protetor importante na neuropatia desenvolvida em indivíduos diabéticos, estimulando a regeneração das fibras nervosas.

Inúmeras pesquisas ainda são direcionadas ao tratamento farmacológico de diversas doenças e pouca atenção tem sido dada às condutas nutricionais ou não farmacológicas que poderiam apresentar resultados similares ou superiores, além de outras vantagens como baixo custo e facilidade de obtenção e administração. A suplementação de carnitina é promissora, uma vez que não é onerosa e se mostra segura.

A melhora das condições clínicas citadas nos estudos clínicos e experimentais, o aumento da tolerância ao exercício físico, a melhor qualidade e maior expectativa de vida dos portadores de enfermidades crônicas são observados, especialmente nos pacientes com baixos níveis sanguíneos e/ou teciduais de carnitina e naqueles com prejuízos funcionais mais pronunciados.


 

Referências:

CELIK, F.; KOSE, M.; YILMAZER, M.; KOKEN, G. N.; ARIOZ, D. T.; KANAT, P. M.; Plasma L-carnitine levels of obese and non-obese polycystic ovary syndrome patients. J Obstet Gynaecol. V. 17, n.4, p. 1-34, 2017.
COSTA, N. M.; RAIZEL, R.; SANTINI, E.; FILHO, A. D. R. Suplementos alimentares para o emagrecimento: eficácia questionável. Revista brasileira de Nutrição Esportiva. Cuiabá, v. 6, n. 31, p. 25-32.
DEANE, C. S.; WILKINSON, D. J.; PHILLIPS, B. E.; SMITH, K.; ETHERIDGE, T.; ATHERTON, P. J. “Nutraceuticals” in relation to human skeletal muscle and exercise.  American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism. v, 17, n. 17, p. 1-16, 2017.
FARIA, C. C.; MOTA, J. F.; EUCLÉSIO, B.; BURINI, R. C. Aplicações clínicas da suplementação de L-carnitina. Revista de Nutrição. Botucatu, v. 18, n. 5, p. 651-659, 2005.
GOLDBERG, E. L.; DIXIT, V. D.; Carnitine acetyltransferase (CRAT) expression in macrophages is dispensable for nutrient stress sensing and inflammation. Molecular Metabolism. New Haven, v. 6, n. 2, p. 219-225, 2016.
NALECZ, K. A.; NALECZ, M. J. Carnitine – mitochondria and beyond. Postepy Biochem. Poland, v. 62, N. 2, 2016.
SEMBA, R. D.; TREHAN, I.; LI, X.; MOADDEL, R.; ORDIZ, I.; MALETA, K. M.; KRAEMER, K.; SHARDELL, M.; FERRUCCI, L.; MANAY, M. Environmental Enteric Dysfunction is Associated with Carnitine Deficiency and Altered Fatty Acid Oxidation. Ebiomedicine. V. 17, N. 17, 2017.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *